Carta aberta

O atendimento odontológico ficou caracterizado, na geração de nossos pais, por momentos desagradáveis que, quer queiramos ou não, temos que enfrentar. Comumente, no nosso dia-a-dia profissional, recebemos pacientes que se referem ao tratamento dos dentes como “tortura”.

Para termos uma idéia do estresse que representa a ida do paciente até o consultório, passamos, agora, a descrever esse fluxo: o paciente tem que se deslocar de sua residência (ou trabalho) até o local de atendimento. Enfrenta o trânsito, que, dependendo do dia e da hora, pode gerar grande tensão nervosa; enfrenta a luta contra os implacáveis ponteiros do relógio, e enfrenta também a certeza de que este tempo que se passa poderia muito bem ser empregado em outra atividade que lhe dá mais prazer. Ao chegar ao consultório, senta-se na sala de espera. Por mais adequada que seja, é impossível não ficar tenso, imaginando: “Está chegando a hora…” “Será que o dentista está atrasado?” “O que será que ele está fazendo?” “Será cirurgia?”… E a mente não pára. Com certeza, pensamentos que irão causar um aumento da adrenalina no sangue, produzindo um aumento de pressão arterial e aumento ainda maior do nervosismo.

Hoje, com a modernização, o design da cadeira odontológica e de todo o equipamento é agradável à vista, confortável e geralmente de cores suaves; tudo isso para acalmar o paciente que receberá o tratamento. Mas, mesmo com todo esse artifício, temos que admitir que não existe nada mais aconchegante do que o nosso lar. Quem é que não se sente mais tranqüilo e mais seguro quando está em sua própria casa?

É na nossa casa que temos os móveis que nos são conhecidos, o quadro que escolhemos a nosso gosto e colocamos na parede… as plantas que dão vida à nossa sala… as músicas que gostamos de ouvir… e nossos entes queridos à nossa volta, provendo-nos a sensação de plena segurança e paz.

Foi pensando nisso tudo que, após 28 anos de exercício na odontologia, decidi exercê-la também oferecendo ao paciente o melhor ambiente para seu tratamento: sua própria casa.

– Dra. Mércia Lopes

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