Maloclusões: da amamentação à vida adulta

O que acontece nos dias de hoje que a maioria das pessoas está usando ou precisam usar aparelhos de correção nos dentes?

Realmente hoje é difícil encontrarmos um paciente que tenha uma oclusão correta. A primeira razão deve-se à amamentação.

Tudo se inicia ali, na maneira como a criança é alimentada desde o nascimento. Sabe-se que o aleitamento materno traz os anticorpos necessários para que o bebê se torne resistente às infecções às quais será apresentado no decorrer de sua vida.

Mas, o aleitamento materno vai muito além disso: ao amamentar ao seio, a mãe transmite ao seu filho o seu amor, sua atenção, sua segurança. Ela interage com seu filho, nesses momentos preciosos. Daí, a importância da mãe estar “de bem com a vida”, na hora da amamentação, isto é, estar em paz com Deus, com a família e com ela mesma.

Porém, mesmo com todos esses cuidados, o costume das mamães é deitar o bebê em seu colo, inclinando-se sobre ele, oferecendo-lhe o bico do seio.

O bebê, deitado por baixo do seio recebe o leite de maneira facilitada pela Lei da Gravidade. Se o seio da mamãe é volumoso, muitas vezes até dificulta a respiração do pequenino, que chega até a transpirar.  Dessa maneira, a deglutição é feita com a mandíbula (queixo) do bebê voltada para trás, prejudicando seu desenvolvimento. A criança não precisará fazer o “movimento de ordenha”, puxando o queixo para frente.

Essa postura da mãe e do bebê durante a amamentação não é muito diferente da amamentação através da mamadeira, pois não existe ativação da mandíbula do bebê, condição necessária ao desenvolvimento desse osso, e correto estímulo dos músculos da região.

A amamentação correta fortalece o padrão respiratório nasal, proporcionando o tônus adequado a todos os músculos da mastigação e do pescoço (sistema estomatognático), posicionando corretamente a língua e os lábios, o que vai fazer com que a criança tenha respiração e dicção adequadas.

Se você é uma nova mamãe, estará se perguntando: “Qual é a maneira correta de amamentar meu filho?”

Image 1 at frame 0A posição correta é colocar o bebê sentado na perna da mãe, de frente ao seio. A princípio pode parecer estranho. Mas, com essa posição, você estimulará a coluna vertebral da criança, fortalecerá seus músculos do pescoço e obrigará a movimentação da mandíbula para frente e para trás. Só assim ocorrerá desenvolvimento ósseo suficiente, e correta atuação dos músculos mastigatórios, promovendo espaço para que erupcionem os dentes. O bebê ter, com certeza, uma postura mais correta, pois já estará começando a vida bem direcionado.

O que constatamos hoje é que as diversas maloclusões, em grande parte, são resultado de uma posição errada da amamentação.

Quando a criança começa a comer alimentos sólidos, ela necessita continuar exercitando sua mandíbula. Precisamos lhe oferecer alimentos (frutas, legumes e  vegetais) crus, para que ocorra estímulo nos ossos e músculos da mastigação.

Reparem que as crianças de hoje praticamente só comem alimentos processados: hambúrguer, chocolate, salgadinhos, parafraseando um comercial que fez muito sucesso: “o Danoninho que vale por um bifinho”… Jamais devemos trocar um pedaço de carne por um iogurte, pois o primeiro exige da mandíbula bons exercícios, enquanto o segundo, ao ser levado à boca, basta apenas engolir!

Convém lembrar que, se nós (os pais) não comemos alimentos duros e crus, jamais conseguiremos convencer nossos filhos a comê-los. Portanto, o melhor será iniciarmos com uma mudança de nossos hábitos; nossos filhos verão e também mudarão.

Mas, o que fazer se o tempo já passou, você não recebeu essa informação durante a fase de formação das arcadas dentárias de seu filho?

Temos que lembrar que, de nada adiantará corrigir apenas a estética. Se seu filho tem dentes mal posicionados na boca, não se trata simplesmente de alinhá-los.

Os dentes estão desalinhados porque, durante os movimentos mastigatórios estão ocorrendo forças musculares desordenadas, quer dos músculos da face, quer da língua.

Outro fator que pode estar determinando o desalinhamento, é a respiração incorreta: devemos respirar pelo nariz, pois este possui um verdadeiro complexo de câmaras de ar dentro dos ossos da face (seios frontal e maxilares), que aquecem o ar antes que este chegue aos pulmões.

Se respirarmos apenas pela boca ocorrerá alteração no palato, na dicção, na face, nas arcadas dentárias e consequentemente na postura.

Veja que devemos sempre analisar o indivíduo como um todo (in-divi-duo). A maloclusão reflete na postura do indivíduo, e a postura reflete na maloclusão. Um respirador bucal tem tendência a se tornar uma pessoa com olheiras, bochechas grandes, cabeça inclinada para a frente em relação ao corpo. Terá má oxigenação do cérebro pela deficiência na respiração. Será uma criança desatenta, com dificuldade de aprendizagem na escola. Nesse caso, a criança apresenta um queixo pequeno, e geralmente os incisivos superiores estão inclinados para a frente.

Cada caso é um caso, mas podemos dizer que, corrigindo a função mastigatória através de aparelhos que ativam o desenvolvimento ósseo e corrija as ações musculares erradas, poderemos apresentar uma “nova vida” para a criança.Outro ponto que precisamos deixar claro é que, quanto mais cedo intervirmos, melhor resultado teremos. Existem aparelhos que podem iniciar um auxílio ao desenvolvimento correto a partir dos 2 (dois) anos de idade.

Mas, se você já é adulto e ainda não corrigiu sua maloclusão, não pense que não tem mais jeito. O fato de só haver modificação óssea até os 18 anos, é coisa do passado! Se fosse assim, um adulto que fraturasse uma perna nunca mais poderia andar, pois não haveria formação de novo osso. Se há neoformação óssea no corpo, porque não haveria na boca?

O adulto pode e deve corrigir sua maloclusão, pois assim estará prevenindo problemas futuros na articulação têmporo-mandibular (ATM), que, quando desencadeados, geram muito desconforto e dor. Também estará melhorando sua qualidade de vida, pois o que acontece na boca, acontece no corpo!

Bibliografia:
• Angle, E. H. – “The treatment of maloclusion of the teeth”. Ed. 7. Charter 2. Saunders Philadelphia, 1907.
• Ramirez- Yañez, GO. Junior E., Sidlauskas A., Flutter, Farrel –  “Dimensional changes in the dental 
arches after using a pre-fabricated functiobal appliance”. J.Clin Orthod. 2005 a.

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