Anatomia dental

Inúmeras pessoas têm a curiosidade de saber sobre a constituição que um dente em seu aspecto exterior e como ele é interiormente. Penso ser este um bom assunto para começarmos a expor nossas idéias sobre o tratamento dos dentes, não por uma visão isolada do corpo humano, mas sim, numa visão do todo. Sim, porque os dentes não estão separados do nosso corpo. Sabe-se hoje que, através dos dentes e da estrutura que os sustenta, podemos conhecer muito da nossa saúde geral.

Chamamos de órgão dental ao dente em conjunto com o periodonto.

DENTE + PERIODONTO = ÓRGÃO DENTAL

O dente é composto de coroa (A, na figura) e raiz (B).

O periodonto é o conjunto de tecidos que sustenta o dente: osso (processo alveolar), gengiva e ligamento periodontal.

1. DENTEanatomiadental

1.1. Coroa

A parte mais externa de um dente, a que vemos quando abrimos nossa boca, é o esmalte (1, na figura), estrutura muito dura (hidroxiapatita), podendo ser cortada apenas pelo diamante, que é a estrutura mais dura do universo. Por isso, as brocas usadas pelos dentistas para o tratamento que necessita desgaste do esmalte (cárie ou preparo para próteses) possuem a ponta de diamante.

Logo abaixo do esmalte temos a dentina (2), de cor branco-amarelada, tendo em sua composição colágenos, o que confere a ela certa elasticidade. A dentina possui canalículos (túbulos) que permitem a comunicação do esmalte com a parte mais interna do dente: a polpa (3). Quando algum estímulo chega à dentina, este através desses canalículos é transmitido à polpa.

A polpa é o que chamam comumente “o nervo”. Na verdade, trata-se de um conjunto de vasos sanguíneos e nervos, ao que chamamos conjunto vásculo-nervoso. O estímulo (calor, frio, acidez, choque) que é transmitido à polpa, é levado através do conjunto vásculo-nervoso aos nervos da coluna vertebral, e esta comunica-se com o cérebro. Este responde ao estímulo fazendo-nos identificar e diferenciar: calor, frio, dor, etc.

Da mesma maneira, as bactérias que estiverem contaminando o dente serão transmitidas para a corrente circulatória, através dos vasos sanguíneos da polpa, atingindo todo o organismo.

1.2. Raiz

A raiz do dente possui a parte mais externa recoberta por uma camada de cemento (5), o que na coroa corresponderia ao esmalte.

Abaixo do cemento, temos também a dentina, e em cada raiz existe uma perfuração (conduto ou canal) por onde vão passar os vasos e nervos ligados à polpa (na coroa).

1.3. Tratamento endodôntico ou tratamento dos canais

O tratamento endodôntico nada mais é do que a remoção desse conjunto vásculo-nervoso da coroa e da raiz (ou raízes), por ocasião de sua contaminação bacteriana (infecção). Lembramos que, algumas vezes o tratamento endodôntico é necessário por outro motivo não infeccioso que não vamos detalhar agora.

1.4. Sensibilidade de colo

Quando sentimos aquela sensibilidade ao frio, ao ácido ou à fricção (durante a escovação) entre a coroa do dente e a gengiva, geralmente é porque há exposição do cemento, ou seja, a gengiva está afastada da coroa, deixando uma pequena porção da raiz exposta.

2. PERIODONTO

O dente está fixado na mandíbula (inferior) ou na maxila (superior), não diretamente no osso. Existe o ligamento periodontal: são fibras elásticas que ligam o cemento (raiz) ao osso alveolar (6).

Osso alveolar é o osso que circunda o dente; este (o dente) está dentro do alvéolo. É devido ao ligamento periodontal que o dente possui um certo movimento, se o tracionarmos. Esse pequeno movimento permite a passagem do fio dental. Permite, também, a perfeita embocadura quando se toca um instrumento de sopro como, por exemplo, um trompete. Esse ligamentos funcionam como “amortecedores” frente ao impacto da mastigação.

Recobrindo o osso, e dando um acabamento à sustentação dos dentes, temos a gengiva (4).

Quando ela se apresenta saudável, possui a cor rósea, com pontos (poros) semelhantes à casca de uma laranja. Se ela se apresentar avermelhada, é sinal de que algo está errado.

Também é normal existir a papila gengival (5), que preenche o espaço entre os dentes, antes do ponto de contato entre eles.

É bom lembrar que, atrás dos últimos dentes temos também uma pequena “montanha” de gengiva, que serve para amortecer a força resultante de todos os dentes, quando mastigamos.

Qual o mecanismo que ocorre nos nossos dentes quando sentimos a dor?

A polpa estende seus vasos (7) e nervos (8) através dos canais (na raiz dental), transmitindo os estímulos recebidos à inervação da coluna vertebral, e esta transmite ao cérebro.

A primeira vértebra da coluna é o atlas, a segunda é o axis. Esse axis tem uma saliência semelhante a um pino que atravessa o atlas, e vai tocar o cérebro. Esse “pino” é chamado apófise odontóide, pois tem o formato de um dente. Ao receber essa informação, o cérebro responde como dor.

Da mesma maneira, os vasos sanguíneos que contém a polpa dental recebem e devolvem o sangue que transita em todo o organismo, passando pelo coração. Nossos dentes são claros porque recebem o oxigênio trazido pelo sangue até a polpa, que vem da corrente sanguínea.

O que acontece com a polpa, quando “tratamos o canal”, ou seja, efetuamos o tratamento endodôntico?

Ao ser tratado o canal, o conjunto vásculo-nervoso que constitui a polpa (parte da coroa e as raízes) é removido, e substituído por outro material (inerte); sendo assim, não ocorrerá mais a transmissão de estímulos para o cérebro, nem receberá oxigênio, pois não terá mais acesso à corrente sanguínea.

É devido a isso que, geralmente o dente tende a ficar com a coloração mais escura.

Por essas palavras, pode-se entender que o órgão dental participa ativamente de todo o organismo. Uma infecção dental pode produzir infecção em outro órgão, uma vez que está em comunicação com a corrente sanguínea. Uma mastigação correta facilita o trabalho de todo o sistema digestório (tais como: estômago, fígado, intestinos).

Todos os dentes são extremamente importantes. A perda de apenas um elemento dental desencadeia uma série de desarranjos em todo o sistema estomatognático (da mastigação), refletindo em todos os outros sistemas do corpo humano.

O que isto significa?

Além de toda essa importância do órgão dental para a mastigação, sabe-se hoje que, da posição dos dentes depende a posição das arcadas (maxilas-mandíbula).  E da posição da mandíbula, o nosso equilíbrio (postura).

Mas essa já é uma outra história…

Até a próxima!

Bibliografia
Della Serra, Vellini Ferreira F.: “Anatomia Dental”, Ed. Artes Médicas Ltda, 1970.

Anúncios