O tratamento domiciliar

Depois de ter observado e lido este site, com certeza você ficou pensando como seria um tratamento domiciliar.

Primeiramente, precisamos pensar num tratamento tradicional: você agenda um horário no consultório odontológico, onde é necessário se conduzir até o local. Precisa do transporte, precisa calcular o tempo que levará da sua casa ou do seu trabalho até o consultório, para que não chegue atrasada (o). Nesse tempo, você não poderá fazer outra coisa, a não ser se preparar para a consulta odontológica.

Agora, imagine o tratamento domiciliar: quem vai gastar esse tempo para a preparação é o(a) dentista. Você vai ficar em sua casa, aproveitando esse tempo para outra atividade, e desfrutando do aconchego do seu lar.

Então, eu, como profissional de odontologia, preciso desse tempo que você gastaria para vir até o consultório, para preparar todo o material e todos os equipamentos envolvidos no atendimento domiciliar. Nada pode ser esquecido. É necessário pensar em todos os detalhes. Além disso, também precisarei de um tempo para me locomover do meu consultório fixo até sua residência.

Trata-se, portanto, de um tratamento odontológico diferenciado.

Ao primeiro contato seu, que pode ser por e-mail ou por telefone, serão obtidas informações necessárias para que ocorra um “esboço” do tratamento: qual a queixa, qual a idade, quais as patologias (doenças) que existem de ordem geral (por exemplo: diabetes, hipertensão arterial, doença de Parkinson, etc.), quais tratamentos já estão sendo efetuados e quais os medicamentos já prescritos, que estão atualmente em uso.

Se necessário e possível, será solicitado um tempo (geralmente 24 horas) para pesquisa sobre os medicamentos e interações medicamentosas, obtendo assim uma correta escolha do anestésico local que será empregado durante o tratamento. Nessa fase é importantíssimo deixar seus telefones e e-mails para a troca de informações (se necessárias), além das obtidas já no primeiro contato.

Todo medicamento e toda orientação médica a que está sujeito o cliente são cuidadosamente estudados, para garantir um tratamento odontológico de qualidade esmerada.

Então, novo contato entre profissional e cliente (ou responsável) ocorre, agora para agendar o dia da primeira consulta domiciliar. Nesse atendimento deverá ser feita a triagem, ou seja, o exame bucal e análise das condições gerais do paciente pessoalmente. Nesse momento, se houver algum procedimento possível e necessário de imediato, este será efetuado. O restante do tratamento, desde que não concluído no mesmo dia, será avaliado e explicado em sua totalidade e também nas modalidades de pagamento.

Outro fator importante que precisa ser esclarecido é qual o perímetro que abrange esse atendimento.

Estando o consultório fixo localizado na cidade de Sorocaba, estado de São Paulo, abrange todas as cidades próximas, num raio de aproximadamente 100 Km. Por exemplo: Votorantim, Piedade, Salto de Pirapora, Araçoiaba da Serra, Capela do Alto, Tatuí, Itapetininga, Itu, Salto, Indaiatuba, Campinas, Mairinque, São Roque, Araçariguama, Alumínio.

Se você reside em outra cidade que não seja nenhuma destas citadas, vale entrar em contato, porque, dependendo do local, o atendimento também poderá ser viável.

Grata pela atenção, e até breve!

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Maloclusões: da amamentação à vida adulta

O que acontece nos dias de hoje que a maioria das pessoas está usando ou precisam usar aparelhos de correção nos dentes?

Realmente hoje é difícil encontrarmos um paciente que tenha uma oclusão correta. A primeira razão deve-se à amamentação.

Tudo se inicia ali, na maneira como a criança é alimentada desde o nascimento. Sabe-se que o aleitamento materno traz os anticorpos necessários para que o bebê se torne resistente às infecções às quais será apresentado no decorrer de sua vida.

Mas, o aleitamento materno vai muito além disso: ao amamentar ao seio, a mãe transmite ao seu filho o seu amor, sua atenção, sua segurança. Ela interage com seu filho, nesses momentos preciosos. Daí, a importância da mãe estar “de bem com a vida”, na hora da amamentação, isto é, estar em paz com Deus, com a família e com ela mesma.

Porém, mesmo com todos esses cuidados, o costume das mamães é deitar o bebê em seu colo, inclinando-se sobre ele, oferecendo-lhe o bico do seio.

O bebê, deitado por baixo do seio recebe o leite de maneira facilitada pela Lei da Gravidade. Se o seio da mamãe é volumoso, muitas vezes até dificulta a respiração do pequenino, que chega até a transpirar.  Dessa maneira, a deglutição é feita com a mandíbula (queixo) do bebê voltada para trás, prejudicando seu desenvolvimento. A criança não precisará fazer o “movimento de ordenha”, puxando o queixo para frente.

Essa postura da mãe e do bebê durante a amamentação não é muito diferente da amamentação através da mamadeira, pois não existe ativação da mandíbula do bebê, condição necessária ao desenvolvimento desse osso, e correto estímulo dos músculos da região.

A amamentação correta fortalece o padrão respiratório nasal, proporcionando o tônus adequado a todos os músculos da mastigação e do pescoço (sistema estomatognático), posicionando corretamente a língua e os lábios, o que vai fazer com que a criança tenha respiração e dicção adequadas.

Se você é uma nova mamãe, estará se perguntando: “Qual é a maneira correta de amamentar meu filho?”

Image 1 at frame 0A posição correta é colocar o bebê sentado na perna da mãe, de frente ao seio. A princípio pode parecer estranho. Mas, com essa posição, você estimulará a coluna vertebral da criança, fortalecerá seus músculos do pescoço e obrigará a movimentação da mandíbula para frente e para trás. Só assim ocorrerá desenvolvimento ósseo suficiente, e correta atuação dos músculos mastigatórios, promovendo espaço para que erupcionem os dentes. O bebê ter, com certeza, uma postura mais correta, pois já estará começando a vida bem direcionado.

O que constatamos hoje é que as diversas maloclusões, em grande parte, são resultado de uma posição errada da amamentação.

Quando a criança começa a comer alimentos sólidos, ela necessita continuar exercitando sua mandíbula. Precisamos lhe oferecer alimentos (frutas, legumes e  vegetais) crus, para que ocorra estímulo nos ossos e músculos da mastigação.

Reparem que as crianças de hoje praticamente só comem alimentos processados: hambúrguer, chocolate, salgadinhos, parafraseando um comercial que fez muito sucesso: “o Danoninho que vale por um bifinho”… Jamais devemos trocar um pedaço de carne por um iogurte, pois o primeiro exige da mandíbula bons exercícios, enquanto o segundo, ao ser levado à boca, basta apenas engolir!

Convém lembrar que, se nós (os pais) não comemos alimentos duros e crus, jamais conseguiremos convencer nossos filhos a comê-los. Portanto, o melhor será iniciarmos com uma mudança de nossos hábitos; nossos filhos verão e também mudarão.

Mas, o que fazer se o tempo já passou, você não recebeu essa informação durante a fase de formação das arcadas dentárias de seu filho?

Temos que lembrar que, de nada adiantará corrigir apenas a estética. Se seu filho tem dentes mal posicionados na boca, não se trata simplesmente de alinhá-los.

Os dentes estão desalinhados porque, durante os movimentos mastigatórios estão ocorrendo forças musculares desordenadas, quer dos músculos da face, quer da língua.

Outro fator que pode estar determinando o desalinhamento, é a respiração incorreta: devemos respirar pelo nariz, pois este possui um verdadeiro complexo de câmaras de ar dentro dos ossos da face (seios frontal e maxilares), que aquecem o ar antes que este chegue aos pulmões.

Se respirarmos apenas pela boca ocorrerá alteração no palato, na dicção, na face, nas arcadas dentárias e consequentemente na postura.

Veja que devemos sempre analisar o indivíduo como um todo (in-divi-duo). A maloclusão reflete na postura do indivíduo, e a postura reflete na maloclusão. Um respirador bucal tem tendência a se tornar uma pessoa com olheiras, bochechas grandes, cabeça inclinada para a frente em relação ao corpo. Terá má oxigenação do cérebro pela deficiência na respiração. Será uma criança desatenta, com dificuldade de aprendizagem na escola. Nesse caso, a criança apresenta um queixo pequeno, e geralmente os incisivos superiores estão inclinados para a frente.

Cada caso é um caso, mas podemos dizer que, corrigindo a função mastigatória através de aparelhos que ativam o desenvolvimento ósseo e corrija as ações musculares erradas, poderemos apresentar uma “nova vida” para a criança.Outro ponto que precisamos deixar claro é que, quanto mais cedo intervirmos, melhor resultado teremos. Existem aparelhos que podem iniciar um auxílio ao desenvolvimento correto a partir dos 2 (dois) anos de idade.

Mas, se você já é adulto e ainda não corrigiu sua maloclusão, não pense que não tem mais jeito. O fato de só haver modificação óssea até os 18 anos, é coisa do passado! Se fosse assim, um adulto que fraturasse uma perna nunca mais poderia andar, pois não haveria formação de novo osso. Se há neoformação óssea no corpo, porque não haveria na boca?

O adulto pode e deve corrigir sua maloclusão, pois assim estará prevenindo problemas futuros na articulação têmporo-mandibular (ATM), que, quando desencadeados, geram muito desconforto e dor. Também estará melhorando sua qualidade de vida, pois o que acontece na boca, acontece no corpo!

Bibliografia:
• Angle, E. H. – “The treatment of maloclusion of the teeth”. Ed. 7. Charter 2. Saunders Philadelphia, 1907.
• Ramirez- Yañez, GO. Junior E., Sidlauskas A., Flutter, Farrel –  “Dimensional changes in the dental 
arches after using a pre-fabricated functiobal appliance”. J.Clin Orthod. 2005 a.

Anatomia dental

Inúmeras pessoas têm a curiosidade de saber sobre a constituição que um dente em seu aspecto exterior e como ele é interiormente. Penso ser este um bom assunto para começarmos a expor nossas idéias sobre o tratamento dos dentes, não por uma visão isolada do corpo humano, mas sim, numa visão do todo. Sim, porque os dentes não estão separados do nosso corpo. Sabe-se hoje que, através dos dentes e da estrutura que os sustenta, podemos conhecer muito da nossa saúde geral.

Chamamos de órgão dental ao dente em conjunto com o periodonto.

DENTE + PERIODONTO = ÓRGÃO DENTAL

O dente é composto de coroa (A, na figura) e raiz (B).

O periodonto é o conjunto de tecidos que sustenta o dente: osso (processo alveolar), gengiva e ligamento periodontal.

1. DENTEanatomiadental

1.1. Coroa

A parte mais externa de um dente, a que vemos quando abrimos nossa boca, é o esmalte (1, na figura), estrutura muito dura (hidroxiapatita), podendo ser cortada apenas pelo diamante, que é a estrutura mais dura do universo. Por isso, as brocas usadas pelos dentistas para o tratamento que necessita desgaste do esmalte (cárie ou preparo para próteses) possuem a ponta de diamante.

Logo abaixo do esmalte temos a dentina (2), de cor branco-amarelada, tendo em sua composição colágenos, o que confere a ela certa elasticidade. A dentina possui canalículos (túbulos) que permitem a comunicação do esmalte com a parte mais interna do dente: a polpa (3). Quando algum estímulo chega à dentina, este através desses canalículos é transmitido à polpa.

A polpa é o que chamam comumente “o nervo”. Na verdade, trata-se de um conjunto de vasos sanguíneos e nervos, ao que chamamos conjunto vásculo-nervoso. O estímulo (calor, frio, acidez, choque) que é transmitido à polpa, é levado através do conjunto vásculo-nervoso aos nervos da coluna vertebral, e esta comunica-se com o cérebro. Este responde ao estímulo fazendo-nos identificar e diferenciar: calor, frio, dor, etc.

Da mesma maneira, as bactérias que estiverem contaminando o dente serão transmitidas para a corrente circulatória, através dos vasos sanguíneos da polpa, atingindo todo o organismo.

1.2. Raiz

A raiz do dente possui a parte mais externa recoberta por uma camada de cemento (5), o que na coroa corresponderia ao esmalte.

Abaixo do cemento, temos também a dentina, e em cada raiz existe uma perfuração (conduto ou canal) por onde vão passar os vasos e nervos ligados à polpa (na coroa).

1.3. Tratamento endodôntico ou tratamento dos canais

O tratamento endodôntico nada mais é do que a remoção desse conjunto vásculo-nervoso da coroa e da raiz (ou raízes), por ocasião de sua contaminação bacteriana (infecção). Lembramos que, algumas vezes o tratamento endodôntico é necessário por outro motivo não infeccioso que não vamos detalhar agora.

1.4. Sensibilidade de colo

Quando sentimos aquela sensibilidade ao frio, ao ácido ou à fricção (durante a escovação) entre a coroa do dente e a gengiva, geralmente é porque há exposição do cemento, ou seja, a gengiva está afastada da coroa, deixando uma pequena porção da raiz exposta.

2. PERIODONTO

O dente está fixado na mandíbula (inferior) ou na maxila (superior), não diretamente no osso. Existe o ligamento periodontal: são fibras elásticas que ligam o cemento (raiz) ao osso alveolar (6).

Osso alveolar é o osso que circunda o dente; este (o dente) está dentro do alvéolo. É devido ao ligamento periodontal que o dente possui um certo movimento, se o tracionarmos. Esse pequeno movimento permite a passagem do fio dental. Permite, também, a perfeita embocadura quando se toca um instrumento de sopro como, por exemplo, um trompete. Esse ligamentos funcionam como “amortecedores” frente ao impacto da mastigação.

Recobrindo o osso, e dando um acabamento à sustentação dos dentes, temos a gengiva (4).

Quando ela se apresenta saudável, possui a cor rósea, com pontos (poros) semelhantes à casca de uma laranja. Se ela se apresentar avermelhada, é sinal de que algo está errado.

Também é normal existir a papila gengival (5), que preenche o espaço entre os dentes, antes do ponto de contato entre eles.

É bom lembrar que, atrás dos últimos dentes temos também uma pequena “montanha” de gengiva, que serve para amortecer a força resultante de todos os dentes, quando mastigamos.

Qual o mecanismo que ocorre nos nossos dentes quando sentimos a dor?

A polpa estende seus vasos (7) e nervos (8) através dos canais (na raiz dental), transmitindo os estímulos recebidos à inervação da coluna vertebral, e esta transmite ao cérebro.

A primeira vértebra da coluna é o atlas, a segunda é o axis. Esse axis tem uma saliência semelhante a um pino que atravessa o atlas, e vai tocar o cérebro. Esse “pino” é chamado apófise odontóide, pois tem o formato de um dente. Ao receber essa informação, o cérebro responde como dor.

Da mesma maneira, os vasos sanguíneos que contém a polpa dental recebem e devolvem o sangue que transita em todo o organismo, passando pelo coração. Nossos dentes são claros porque recebem o oxigênio trazido pelo sangue até a polpa, que vem da corrente sanguínea.

O que acontece com a polpa, quando “tratamos o canal”, ou seja, efetuamos o tratamento endodôntico?

Ao ser tratado o canal, o conjunto vásculo-nervoso que constitui a polpa (parte da coroa e as raízes) é removido, e substituído por outro material (inerte); sendo assim, não ocorrerá mais a transmissão de estímulos para o cérebro, nem receberá oxigênio, pois não terá mais acesso à corrente sanguínea.

É devido a isso que, geralmente o dente tende a ficar com a coloração mais escura.

Por essas palavras, pode-se entender que o órgão dental participa ativamente de todo o organismo. Uma infecção dental pode produzir infecção em outro órgão, uma vez que está em comunicação com a corrente sanguínea. Uma mastigação correta facilita o trabalho de todo o sistema digestório (tais como: estômago, fígado, intestinos).

Todos os dentes são extremamente importantes. A perda de apenas um elemento dental desencadeia uma série de desarranjos em todo o sistema estomatognático (da mastigação), refletindo em todos os outros sistemas do corpo humano.

O que isto significa?

Além de toda essa importância do órgão dental para a mastigação, sabe-se hoje que, da posição dos dentes depende a posição das arcadas (maxilas-mandíbula).  E da posição da mandíbula, o nosso equilíbrio (postura).

Mas essa já é uma outra história…

Até a próxima!

Bibliografia
Della Serra, Vellini Ferreira F.: “Anatomia Dental”, Ed. Artes Médicas Ltda, 1970.